O Estado de São Paulo passou a contabilizar nove Indicações Geográficas (IGs) ligadas ao agronegócio com o reconhecimento, pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), da procedência do palmito pupunha do Vale do Ribeira, entre as 12 IGs já concedidas em território paulista. A área contemplada pelo novo selo abrange os municípios de Barra do Turvo, Cajati, Cananéia, Eldorado, Iguape, Ilha Comprida, Iporanga, Itariri, Jacupiranga, Juquiá, Miracatu, Pariquera-Açu, Pedro de Toledo, Registro, Ribeira, Sete Barras e Tapiraí, região que soma mais de 1.800 produtores familiares em cerca de 10 mil hectares cultivados com pupunha.
Segundo o engenheiro agrônomo da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI) Regional Registro, Rogério Sakai, o Vale do Ribeira reúne condições ideais que o transformaram em polo responsável por aproximadamente 80% da produção estadual de palmito pupunha. Ele explica que o cultivo é feito majoritariamente por pequenos e médios produtores em terras altas, com relevo levemente ondulado e sem necessidade de irrigação, graças à boa distribuição de chuvas ao longo do ano, o que favorece o desenvolvimento das plantas. No passado, a exploração da região se dava com o palmito juçara da Mata Atlântica, mas, com a proibição da extração dessa espécie, as fábricas migraram para a pupunha, aproveitando a experiência no processamento e a característica de perfilhamento da palmeira, o que estimulou a adesão dos produtores.
As primeiras sementes de pupunheira chegaram ao estado em 1940, trazidas pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC-APTA/SAA), e a boa adaptação levou, a partir dos anos 1970, à consolidação da cultura como atividade comercial em crescimento. Na década de 1980, estudos do IAC identificaram o Vale do Ribeira como área ideal para o cultivo, em razão do clima tropical úmido e do solo favorável, criando novas bases para o desenvolvimento regional. Hoje, o instituto mantém um programa de melhoramento genético voltado à obtenção de variedades mais produtivas e com maior qualidade de palmito, além de preservar uma coleção de palmeiras com mais de 400 espécies nativas e exóticas com potencial ornamental ou para produção de palmito.
Essa coleção está em estudo, uma vez que diferentes espécies de palmeiras, com distintas características de cultivo, podem gerar palmitos com sabores, cores e texturas próprios, conforme destaca a pesquisadora do IAC, Valéria Modolo. Em âmbito nacional, o Brasil alcançou recentemente a marca de 150 Indicações Geográficas reconhecidas pelo Inpi, chegando a 161 IGs ao todo, sendo 120 Indicações de Procedência (119 nacionais e uma estrangeira) e 41 Denominações de Origem (31 nacionais e dez estrangeiras). Entre as IGs relacionadas ao agronegócio paulista estão Alta Mogiana (café), Jundiahy (uva niagara rosada), Nova Alta Paulista (café), Região de Garça (café), Região de Pinhal (café), Torrinha (café), Vale da Grama (café), Vale do Paraíba (mel e própolis) e Vale do Ribeira (palmito pupunha).
O estado conta ainda com três IGs ligadas a outros segmentos: Birigui (calçado infantil), Franca (calçados) e Porto Ferreira (cerâmica artística). A Indicação de Procedência de uma IG reconhece o nome de um país, cidade, região ou localidade que se tornou referência na produção, fabricação ou extração de determinado produto, enquanto a Denominação de Origem vai além e exige que as características e qualidades do produto sejam essencialmente ou exclusivamente atribuídas ao meio geográfico, incluindo fatores naturais e humanos.





























