Como resistir, existir e recontar a história a partir das raízes originárias do Brasil? Essas são algumas das reflexões que irão nortear o 6º encontro formativo do projeto “Era Uma Vez…Brasil” , que aconteceu na última quinta-feira, 22 de maio, em Lençóis Paulista (SP). A formação, voltada a professores da rede pública participantes da iniciativa contou com a presença de três lideranças indígenas: Taylane Tupinikim, Alessandro Omágua Kambeeba e Isaque Terena. Com o tema “Pindorama e Brasil: o legado de lutas e resistências indígenas” , a atividade propõe um mergulho na ancestralidade e nas trajetórias de luta dos povos indígenas.
A iniciativa integra a 9ª edição do projeto “Era Uma Vez…Brasil”, que em 2025 mobiliza professores e alunos do 8º ano de escolas públicas em 15 cidades brasileiras com o tema “Quem conta a nossa história?”. A proposta é valorizar o protagonismo indígena e afro-brasileiro, promovendo uma educação mais crítica, diversa e conectada com os territórios e culturas locais.
Para o coordenador do projeto, Guilherme Parreira, realizar este encontro é uma oportunidade de fortalecer o papel transformador da educação. “A presença dos três ativistas representa não apenas o reconhecimento do poder dos saberes indígenas, mas também um convite à escuta, ao diálogo e à retirada da nossa forma de ensinar História”, afirma.
Parreira destaca que a atividade visa provocar reflexões profundas sobre a formação do Brasil – não apenas como nação, mas como um espaço marcado por resistências e memórias silenciadas. “Momentos como este renovar o compromisso do projeto ‘ Era Uma Vez…Brasil’ com uma releitura crítica da história, pautada no respeito, na escuta e na valorização das vozes originárias.”
Sobre os palestrantes
Taylane Tupinikim é estudante de Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e coordenadora do Centro de Culturas Indígenas (CCI/UFSCar). Atua em movimentos de defesa dos direitos indígenas, participação em conferências populares e políticas articulares. É também membro das rodas de conversa do PET Saúde Indígena e trabalha na construção de políticas públicas mais justas e inclusivas.
Alessandro Omágua Kambeeba pertence ao povo Omágua/Kambeba da região do Alto Rio Solimões (AM). É licenciado em Letras e pós-graduando em Educação Inclusiva. Atua na luta pela garantia dos direitos linguísticos dos indígenas surdos, com ênfase na valorização das línguas de sinais indígenas e da Libras em contextos escolares e comunitários.
Isaque Terena é da etnia Terena, do estado de São Paulo, e cursa Educação Especial pela UFSCar. É membro do PET Indígena Ações em Saúde e diretor de comunicação do Centro de Culturas Indígenas (CCI), atuando na articulação de ações em defesa das comunidades indígenas.





























