TRE-SP anula votos do Republicanos em Miguelópolis por fraude à cota de gênero

Decisão unânime reconheceu candidatura fictícia, cassou o registro do partido para o pleito de 2024 e declarou a inelegibilidade de uma candidata por oito anos.

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), em sessão realizada nesta quinta-feira (2), reconheceu por unanimidade a ocorrência de fraude à cota de gênero no registro de candidaturas do partido Republicanos no município de Miguelópolis para as Eleições 2024. A decisão determinou a cassação do Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários (Drap) do partido, o que resulta na anulação de todos os votos recebidos pelos candidatos a vereador da sigla.

A candidata Ellen Ferreira Barbosa, considerada fictícia no processo, foi declarada inelegível por oito anos, a contar das eleições de 2024. Como o partido não elegeu nenhum representante, não houve anulação de diplomas.

A Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) foi proposta pelo Ministério Público Eleitoral, que argumentou que a candidata não realizou propaganda para si mesma, apenas para seu esposo, que concorria ao cargo de prefeito. Além disso, não houve registro de gastos de campanha, apesar de Ellen ser a tesoureira do partido. Após sua renúncia, a sigla não indicou uma substituta, resultando no descumprimento da cota de gênero, com apenas duas mulheres entre os dez candidatos registrados.

Para o juiz Regis de Castilho, relator do processo, “não há evidência alguma de que a candidata tenha divulgado sua campanha após o registro de candidatura, (…) o que demonstra o desinteresse em participar do pleito desde o momento inicial da sua escolha pelo partido”.

Com a decisão, a 208ª Zona Eleitoral de Miguelópolis será notificada para realizar a retotalização dos votos para o cargo de vereador, com um novo cálculo dos quocientes eleitoral e partidário. Cabe recurso da decisão ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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