Itapira, no interior de São Paulo, destaca-se com o Botão Guardião, solução tecnológica humanizada que protege idosos vítimas de violência, abandono ou emergências de saúde. O programa utiliza a mesma tecnologia aplicada na proteção de vítimas da Lei Maria da Penha e foi implementado para a terceira idade em março de 2023, após reuniões com delegados, Ministério Público e juíza da Comarca. Basta um toque no celular para acionar a Guarda Civil Municipal (GCM), que desloca a viatura mais próxima.
A delegada Gilmara Natália Batista dos Santos, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), analisa casos de violência contra idosos e solicita a Medida Protetiva junto ao aplicativo quando necessário. Atualmente, 21 idosos estão cadastrados, com a maioria das ocorrências ligadas a medidas contra filhos, combatendo a violência intrafamiliar. Dezesseis GCMs femininas foram treinadas para o primeiro acolhimento, instalação do app e atendimento humanizado.
Maria Aparecida Jesus da Silva, de 78 anos, exemplifica a eficácia do sistema. Morando com a irmã de 70 anos com deficiência mental, ela acionou o botão ao ouvir barulho suspeito em casa, após voltar da igreja. A GCM chegou em minutos, revelando um falso alarme causado por uma cachorrinha, mas reforçando a sensação de segurança. “Hoje eu fico mais segura, sabendo que, se acontecer qualquer problema, eu tenho como pedir ajuda rapidamente”, relatou.
A comandante da GCM, Zaccariotto, enfatiza que o Botão Guardião vai além da tecnologia, oferecendo dignidade aos idosos que contribuíram para a sociedade. O programa integra a plataforma Muralha Digital Sentry, usada em mais de 140 cidades, com módulos como reconhecimento facial e gestão de ocorrências. Além de idosos e vítimas da Lei Maria da Penha, o app atende escolas, creches, comércios e áreas rurais.
Itapira complementa a iniciativa com o espaço “Vida Mais”, que promove dança, natação, computação e palestras sobre o botão, fomentando autonomia. O efeito preventivo é notável: agressores informados sobre a rapidez do socorro reduzem descumprimentos de medidas protetivas. O programa alinha-se à Década do Envelhecimento Saudável da OMS (2021-2030), respondendo ao crescimento de 57,4% na população acima de 65 anos, conforme Censo 2022 do IBGE.





























