A Prefeitura de Campinas publicou em suas redes sociais um pedido de desculpas pelo vídeo publicitário do programa de segurança Monitora Campinas, da Guarda Municipal, veiculado em 2023 e considerado de teor racista. A retratação faz parte de um acordo firmado com o Ministério Público (MP).
Na época, após forte repercussão negativa, a peça foi reeditada e substituída, em julho de 2023, mas sem pedido formal de desculpas — feito somente agora. O vídeo original celebrava a marca de 1.100 câmeras de vigilância do programa, que conta com apoio de representantes da iniciativa privada. Porém, a produção mostrava apenas pessoas negras sendo abordadas pela Guarda Municipal. Na versão revisada, incluiu-se a imagem de uma pessoa branca e foram feitas alterações no material.
No novo vídeo, publicado recentemente, uma atriz afirma que a Prefeitura “errou feio” e reforça: “Errar é humano. Corrigir é um dever”. A peça reconhece que a comunicação reforçou estereótipos racistas e destaca o compromisso de produzir conteúdos que representem a diversidade da população de Campinas. A mensagem oficial diz:
“Vamos falar de um erro? A Prefeitura de Campinas errou. Não foi bom. Há um tempo publicamos um vídeo para mostrar o quanto o programa Monitora Campinas ajudou a aumentar as apreensões com o uso de câmeras na cidade. Mas tem um problema grave nisso. Todas as imagens mostravam pessoas negras. E isso não é qualquer realidade. Isso repassa um estereótipo racista que a gente como poder público jamais deveria reforçar. Isso não representa Campinas. Não representa a nossa gente, nossa diversidade, nem o que a cidade acredita. E por isso estamos aqui, para reconhecer o erro, pedir desculpas. E mais importante que isso, corrigir o que foi feito. Errar é humano. Corrigir é um dever. O racismo é um problema estrutural. E quem está no poder tem obrigação de enfrentar isso todos os dias. Por isso a prefeitura firmou um acordo com o Ministério Público para fazer essa retratação pública. Pública, e mais que um pedido de desculpas. Isso é um compromisso em fazer comunicação que represente toda a cidade, com respeito, responsabilidade e consciência.”
Na época da divulgação da primeira versão, a vereadora Guida Calixto (PT) apresentou uma indicação à Prefeitura e enviou ofício ao MP solicitando a retirada do vídeo. A peça também foi alvo de críticas da vereadora Mariana Conti (PSOL) e da ex-vereadora Marcela Moreira (PSOL), que chegou a anunciar que acionaria o Ministério Público como cidadã.
Em resposta às críticas, a Prefeitura agradeceu o alerta da vereadora Guida e afirmou, à época, que o vídeo tratava de criminalidade e “não sobre raça”.
A postagem atual reúne o pedido de desculpas e apresenta os dois vídeos: o original, que gerou polêmica, e a versão reeditada.





























