Frio intensifica riscos de acidentes e afastamentos no trabalho

Especialista em segurança alerta que inverno exige EPIs adequados, gestão preventiva e atenção redobrada a trabalhadores expostos a baixas temperaturas

Com a chegada do inverno e a queda das temperaturas em diversas regiões do país, especialistas em Saúde e Segurança do Trabalho reforçam a necessidade de atenção aos riscos ocupacionais relacionados ao frio. A exposição prolongada às baixas temperaturas segue como fator de risco relevante para profissionais de setores como construção civil, logística, transporte, agronegócio, limpeza urbana e operações em câmaras frias.

Além do desconforto térmico, o frio pode comprometer saúde, produtividade e segurança. De acordo com especialistas, a exposição inadequada a baixas temperaturas aumenta a rigidez muscular, torna os reflexos mais lentos, provoca fadiga e agrava doenças respiratórias e cardiovasculares, combinação que eleva diretamente a probabilidade de acidentes de trabalho.

A preocupação ganha força diante dos números da saúde ocupacional. Dados divulgados pela Previdência Social indicam que o Brasil registrou mais de 4,1 milhões de afastamentos por problemas de saúde em 2025, o maior volume desde 2021, o que reforça a importância de ações preventivas e promoção da saúde dentro das empresas.

Para Rodrigo Soravassi, engenheiro de Segurança do Trabalho da Trabt, proteger o trabalhador no inverno vai muito além do uso de agasalhos comuns. “A estratégia mais eficiente é utilizar roupas em camadas. A primeira deve manter a pele seca, a segunda atuar como isolante térmico e a terceira proteger contra vento e chuva. Além disso, é fundamental proteger extremidades como cabeça, mãos e pés, utilizando gorros, balaclavas, luvas térmicas e meias adequadas”, explica.

Segundo o engenheiro, o frio interfere diretamente na capacidade de execução das atividades. Quando exposto a baixas temperaturas, o organismo reduz a circulação sanguínea em mãos e pés para preservar os órgãos vitais, diminuindo sensibilidade e força muscular. “Isso pode comprometer o manuseio de ferramentas, aumentar o risco de quedas de objetos, falhas operacionais e acidentes com máquinas. Além disso, os músculos ficam mais rígidos e os reflexos mais lentos, reduzindo a capacidade de reação diante de situações de perigo”, afirma Soravassi.

O especialista ressalta que o excesso de proteção também pode representar risco. “Muitas pessoas acreditam que quanto mais roupa, melhor. Mas, se o trabalhador superaquecer e transpirar em excesso, a umidade acumulada pode acelerar a perda de calor corporal e aumentar a vulnerabilidade ao frio. Por isso, a escolha dos EPIs deve ser baseada em critérios técnicos e na avaliação das condições de trabalho”, pontua.

Nesse contexto, a gestão preventiva se torna ferramenta essencial para proteger trabalhadores e reduzir custos para as empresas. A adoção de pausas térmicas, rodízio de equipes, monitoramento das condições ambientais, treinamento e fornecimento adequado de equipamentos de proteção pode diminuir de forma significativa a ocorrência de acidentes, doenças ocupacionais e afastamentos.

“Investir em prevenção é uma decisão estratégica. Um trabalhador protegido, confortável e saudável produz mais, comete menos erros e se afasta menos das atividades. Além dos benefícios para a saúde, as empresas reduzem custos com atestados, afastamentos previdenciários, passivos trabalhistas e perda de produtividade”, conclui Soravassi.

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