Falta de tempo para o autocuidado já atinge maioria dos brasileiros

Às vésperas do Dia Internacional do Autocuidado, nova obra de Juliana Santana reforça que organização da rotina precisa considerar saúde física e emocional, não só produtividade

No dia 24 de julho é celebrado o Dia Internacional do Autocuidado, criado para incentivar hábitos que promovam saúde, bem-estar e qualidade de vida. Em um cenário de agendas lotadas e cobrança por alta performance, porém, cuidar de si tem se tornado um desafio. Segundo pesquisa do Instituto Locomotiva, 62% dos brasileiros afirmam não ter tempo suficiente para fazer tudo o que precisam, e o autocuidado costuma ser uma das primeiras prioridades a desaparecer da rotina.

O quadro se torna mais preocupante quando cruzado com outros indicadores. A Organização Mundial da Saúde reconhece a síndrome de burnout como fenômeno ocupacional ligado ao ambiente de trabalho, resultante de estresse crônico não gerenciado, caracterizado por exaustão emocional, distanciamento mental do trabalho e redução da eficácia profissional. Pesquisas internacionais apontam níveis elevados de estresse entre trabalhadores e o crescimento de transtornos relacionados à ansiedade e ao esgotamento.

Para a educadora, mentora e especialista em organização e produtividade Juliana Santana, o problema vai além da quantidade de horas disponíveis no dia. “Nós aprendemos que cuidar de nós mesmos é algo que pode esperar. Primeiro vêm o trabalho, a casa, os filhos, os compromissos e as urgências. O autocuidado fica sempre para depois. O problema é que esse ‘depois’ muitas vezes nunca chega”, afirma.

Segundo a especialista, existe uma diferença importante entre ter uma agenda cheia e viver uma vida com significado. “As pessoas costumam dizer que precisam de mais tempo. Mas, na maioria das vezes, elas precisam de mais clareza sobre o que realmente merece ocupar espaço na rotina. Quando tudo parece urgente, acabamos abandonando justamente aquilo que sustenta nossa saúde física e emocional”, explica.

Embora o termo autocuidado esteja cada vez mais presente nas redes sociais, Juliana observa que ele ainda é frequentemente associado apenas a consumo ou lazer. Para ela, autocuidado também inclui exames preventivos, respeito aos próprios limites, sono de qualidade, aprender a dizer “não”, pedir ajuda, desacelerar sem culpa e reservar tempo para vínculos afetivos. “Não é um prêmio por cumprir todas as tarefas. É uma necessidade”, reforça, lembrando que muitas pessoas só percebem essa importância quando corpo ou mente já mostram sinais de esgotamento.

Essa reflexão ganhou novo sentido na trajetória da própria autora. Depois de anos dedicados à carreira acadêmica, à educação e à produtividade, mudanças profissionais, desafios de saúde e, principalmente, a perda da irmã levaram Juliana a repensar a relação com o tempo. “Percebi que muitas das decisões mais importantes da nossa vida acabam sendo adiadas. Adiamos conversas, sonhos, mudanças, cuidados com a saúde e momentos ao lado das pessoas que amamos. Acreditamos que haverá tempo depois. Mas nem sempre há”, relata.

Na visão da especialista, a verdadeira organização não consiste em encaixar mais compromissos na agenda, mas em criar espaço para o que realmente importa. “Talvez a pergunta mais importante não seja como fazer mais em menos tempo. Talvez seja: o que eu não quero deixar de viver?”, provoca.

Essas reflexões inspiram “Vai Dar Tudo Certo!”, novo livro de Juliana Santana, com lançamento previsto para agosto pela Heloisa Belluzzo Editora. Conhecida na área de organização e produtividade, a autora propõe um olhar diferente daquele adotado na maioria dos títulos sobre gestão do tempo: em vez de ensinar técnicas para produzir mais, ela convida o leitor a refletir sobre a relação entre rotina, saúde, luto, maternidade, carreira, propósito e bem-estar.

A obra nasceu de experiências transformadoras vividas pela autora e reúne aprendizados construídos ao longo de sua trajetória pessoal e profissional. O objetivo não é ensinar como preencher cada minuto do dia, mas mostrar que organizar a vida significa, antes de qualquer coisa, abrir espaço para o que realmente importa. Em um país em que milhões de pessoas afirmam não encontrar tempo nem para cuidar de si, Juliana deixa um convite: “A vida não espera a agenda ficar livre. Ela acontece agora. E talvez o maior ato de autocuidado seja decidir, todos os dias, que viver também merece entrar na nossa lista de prioridades.”

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